A pandemia e os seus efeitos na indústria têxtil

A pandemia e os seus efeitos na indústria têxtil e moda são maiores do que muitos imaginam.

Tão logo foi decretado o lockdown em praticamente todo Mundo evidentemente que a indústria têxtil sofreu um impacto gigantesco desde o topo da pirâmide que são os grandes desfiles de Moda em Paris, Milão, Nova York e outros até a base da pirâmide que são as costureiras ao redor do Mundo.

Desfiles cancelados, coleções de roupas paralisadas, Modelos perdendo trabalho, lojas de shoppings fechando e o mundo inteiro se questionando como seria o impacto da covid19 no setor têxtil.

Efeitos da pandemia na indústria da moda

A princípio ainda havia estoque de roupas nas lojas e muitos lojistas migraram do comércio presencial para o comércio online, vendendo roupas pelo Instagram, Whats app etc.

Quem se adaptou rapidamente conseguiu sucumbir à crise. Já os grandes magazines de Shoppings sentiram demais os efeitos. Porém, os gigantes de vendas a varejo venderam roupas como nunca já que aproximadamente 40 milhões de novos usuários começaram a comprar online.

Indústria têxtil enfrenta falta de matéria-prima e alta nos preços

O tempo foi passando e as fábricas começaram a ficar sem matéria prima para confeccionar roupas, e a inflação ao redor do mundo começou a aumentar pois quem tinha mercadoria vendia a um preço muitas vezes abusivo.

Um exemplo disso foi o metro do tricoline que antes era vendido a 10 reais e chegou a ser vendido por 30 reais o metro. Um aumento aí de 200%.

Costureiras da indústria têxtil tentam se reinventar na pandemia

O assunto é delicado, mas não há como fecharmos os olhos para o óbvio.  A grande maioria das confecções de roupas ao redor do mundo são feitas na China, com costureiras em regime de “escravidão”, à medida que as costureiras perderam empregos por conta da Pandemia.

Na tentativa de se reinventar, essas pessoas voltaram às suas cidades e tiveram de se ocupar fazendo artesanatos e até mesmo faxinas nas casas e conseguiram se virar muito bem, trabalhando menos horas, ficando mais perto dos seus familiares.

Conclusão: Milhares de costureiras não querem mais voltar a costurar ganhando um salário vergonhoso, e em condições análogas à “escravidão”.

Como a indústria têxtil se adaptará a pandemia?

Como a indústria têxtil se adaptará a pandemia
Como a indústria têxtil se adaptará a pandemia

Os Empresários da indústria têxtil terão de reduzir seus lucros, a fim de contratarem novamente as costureiras, porém com um salário mais digno, pagando horas extras etc.

Entretanto, num País com o índice de desemprego altíssimo, geralmente os menores não costumam ter o mínimo de privilégios, mas provavelmente irão obrigar as costureiras a voltarem aos seus postos de trabalho em outra cidade.

Falta de mão de obra qualificada + falta de matéria prima = preço alto.

Muitos especulam que a China sabia do impacto da Pandemia na economia e como eles tem uma margem de lucro muito grande eles seriam capazes de aumentar os preços de tudo o que fabricam por lá e mesmo assim o mundo continuaria comprando deles.

Resta saber como cada empresário irá reagir aos efeitos da pandemia na indústria da moda. Vamos a um exemplo:

Digamos que uma peça de roupa vinha da China por 10 reais. Aí o empresário tem de arcar com o “Custo Brasil” que é insuportável, aluguéis de lojas de shopping, funcionários etc.

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Uma peça dessa era vendida a 50 reais (apenas um exemplo). Suponhamos que agora essa peça de 10 reais venha a custar 20 reais. Soma-se a isso aumento de conta de eletricidade, aumento de aluguel, aumento de salários etc.

A mesma roupa que era vendida a 50 reais terá de ser vendida no mínimo a 70 reais.  Será que o consumidor irá aceitar esse aumento.

A indústria têxtil se reinventando na pandemia

Os brechós de luxo se deram bem a princípio pois tinham roupas de grife e venderam bastante, fazendo a economia girar legal e os clientes terem peças de qualidade a um preço bem mais em conta.

Todavia, agora com as confecções produzindo muito menos de outrora e com produtos e materiais de qualidade inferior por conta da falta de matéria prima, as roupas estão cada vez menos com qualidade.

Pandemia afeta indústria têxtil e costureiras

Outro setor que sentiu demais com a pandemia foi de ateliê de costuras onde tiveram de parar de ajustar roupas e muitos viram a possibilidade de confeccionar máscara de proteção como uma saída para driblar a crise.

Com o retorno das atividades os problemas começaram a surgir, e um deles é o seguinte:

Roupas com acabamento ruim requerem o dobro de cuidado.

Imagine só você comprando um Terno cujo Paletó está folgado. A princípio uma diferença de acabamento de 1 centímetro no punho não será perceptível ok?

Entretanto, quando a costureira fizer os Ajustes de Paletó , se ela não ficar atenta e fizer na mesma medida os 2 lados do punho, você perceberá essa diferença de 1 centímetro( ou mais) e achará que a costureira fez o ajuste de punho errado, quando na verdade a diferença de punho é original da confecção.

Então cabe ao Atelier de costuras tomar o cuidado na hora de medir o terno no cliente e não sair alfinetando sem prestar atenção e sem ter o conhecimento técnico necessário.

E isso requer tempo a mais de atendimento, de conhecimento.

Roupas mal feitas internamente para economizar tempo e material

Qualidade de produtos cai na indústria têxtil

indústria da Moda
Qualidade de produtos cai na indústria têxtil

O segredo para escolher uma roupa de qualidade é virá-la literalmente do avesso e acompanhar o acabamento, a costura, a quantidade de linhas expostas pois todo acabamento requer tempo, e quando a confecção de roupas é feita às pressas o que mais se prioriza é a economia de tempo.

Logo, na hora de fazer os Ajustes e reformas de roupas em Sp ou em qualquer lugar do Brasil, as costureiras estão tendo muito mais dificuldade para ajustar as roupas, pois quando as clientes vêm buscar as roupas, elas estão muito mais atentas e qualquer ondulação, qualquer probleminha já acham que é do ajuste de roupas, quando muitas vezes é a fabricação original que foi mal feita.

Indústria têxtil e de confecções da 25 de março sofrem com a pandemia

A 25 de Março, o maior reduto de falsificação de roupas junto ao Brás, que vende para o Brasil inteiro ficou fechada durante a pandemia, embora alguns lojistas tentassem driblar a fiscalização e vender do jeito que dava para garantir o sustento de suas famílias.

Especialistas de Moda já falaram muito a respeito das roupas falsificadas da 25 de março onde muitas delas são super bem feitas que até enganam os mais atentos. Porém, se olharmos o avesso das roupas, veremos as diferenças de acabamento, os bolsos curtos deixando celulares e documentos caírem no chão, os zíperes de péssima qualidade.

Preço sobe, e qualidade despenca – Efeitos da pandemia na indústria da moda

Já estamos sentindo na pele o aumento do preço das roupas nas lojas, e para quem busca somente preço baixo está encontrando sim, encontrando roupas de péssima qualidade feitas por fabricantes utilizando materiais cada vez mais descartáveis.

Já as lojas mais renomadas estão com preços inflacionados e tendo de ” rebolar” para não passar todo o aumento de encargos para os consumidores.

Como as funcionárias do setor têxtil tem se adaptado a crise?

Um reflexo terrível da crise são os relatos de muitas costureiras que preferiram deixar de costurar no Brasil para fazerem faxina nas casas pois segundo elas a diária de uma faxina pode chegar até 200 reais, ao passo que dependendo do salário da costura o ganho é muito menor, e mesmo que a pessoa saiba que o registro é importante, quando há necessidade é imediata, a pessoa prefere ganhar mais sem ter segurança alguma.

Portanto o setor de moda e a economia desse setor tem passado por tempos turbulentos, sem muita perspectiva de melhoria a curto e médio prazo.