Metodologias, gerentes e projetos


Metodologia Agil de Projetos

Ao trabalhar com projetos, há algumas maneiras diferentes de gerenciá-los. Uma delas é a tradicional abordagem em cascata, na qual o projeto é detalhado de cima para baixo, você tem que usar gráficos de Gantt para descobrir quanto tempo você acha que o projeto ainda durará e você recebe uma data fixa que não pode ser alterada sem um grande esforço e um determinado montante de dinheiro para realizar o trabalho. Esta abordagem foi como o Windows e muitos jogos de vídeogame foram produzidos no passado. Não é extremamente eficaz e realmente ninguém gosta de trabalhar em um projeto realizado por meio de metodologias de cascata. Há riscos, os projetos são cancelados e o gerenciamento de projetos pode parecer ser caprichoso e opaco. Isso leva à falta de confiança de que a administração tem o melhor interesse em mente tanto para o projeto quanto para a equipe.

Para responder a estas preocupações, um grupo de pessoas criou a metodologia Ágil de gerenciamento de projetos. O objetivo era valorizar software funcional acima da documentação. Isto significa que cada pedaço do software é dividido na mínima funcionalidade viável, ou o menor pedaço de software funcional que pode ser embalado e utilizado por um cliente. O objetivo é gerenciar o projeto através do ajuste de quantos desses recursos vão ser concluídos até a data do lançamento. Na prática, você constrói pequenos pedaços de trabalho em vez de terminar um software gigante completo.

Esta abordagem é eficaz para outros tipos de tecnologia que têm uma arquitetura modular. Nestes casos, há um produto mínimo viável, para o qual você precisa de um conjunto mínimo de funcionalidades para que o produto funcione. Por exemplo, um telefone celular deve ter uma combinação de características para funcionar corretamente. Coisas como telas dobráveis ​​não estariam no produto mínimo viável, mas uma excelente tela sensível ao toque estaria. Estas funcionalidades mínimas viáveis ​​podem ser moduladas com base no modelo de Kano – que é útil para determinar se uma funcionalidade específica é básica (fundamental) ou prazerosa (desejo). Se a funcionalidade é básica, você deve incluir essa característica se quer que seu produto seja um sucesso. No entanto, essas funcionalidades mínimas não garantem um produto de sucesso, então você precisa incluir também algumas funcionalidades que dão prazer e alegria. Essas são as peças de escopo que terá que organizar e priorizar para se certificar de que você realmente lance o produto no prazo.

Os problemas vêm sempre que há uma mistura de metodologias. Por exemplo, quando a gestão da empresa acredita que os projetos devem ser gerenciados em cascata através de um escritório de projetos centralizado, enquanto a equipe de desenvolvimento acredita que o projeto deve ser gerenciado através da metodologia ágil.

Sempre que há falta de comunicação, falta de informação, ou a falta de compreensão da real situação da abordagem da equipe ágil, isso cria sérios problemas. Esta situação é agravada pela abertura exigida na abordagem ágil (na qual você deveria aprender continuamente com seus erros e ter uma conversa sobre todos os problemas que você teve – para corrigi-los), enquanto as metodologias em cascata facilitam que as pessoas escondam e joguem a culpa em qualquer coisa sempre que as coisas não estão indo bem. Não porque as pessoas sejam ruins, mas existem incentivos para que elas se comportem dessa maneira.

Este conflito e uma mudança na governança na metodologia ágil podem e irão destruir a confiança que as várias equipes ágeis desenvolveram. Uma organização precisa se comprometer totalmente a uma única metodologia de gerenciamento de projetos, ou ela vai ter dificuldades para concluir qualquer projeto dentro do escopo e orçamento e vai desmoralizar os líderes dos projetos ágeis, enquanto metodologias em cascata são as que a alta gestão costuma selecionar. Líderes de projetos ágeis devem abandonar as organizações que reduzem as equipes ágeis, pois isso não irá parar e terá impactos dramáticos sobre suas carreiras em longo prazo.

Autor: Ryan Kapsar, engenheiro e escritor que trata da intersecção entre ciência, tecnologia, economia e cultura.

Artigo publicado originalmente no site PM Hut

Publicidade