Trabalhando na matriz – Agora somos todos gerentes de projeto!


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Os gerentes de projeto tiveram que lidar com a “gestão matricial” por décadas. Eles tiveram que desenvolver as habilidades para gerenciar equipes de curto e longo prazo, com representantes de diferentes funções, regiões e especializações.

A matriz, na verdade, foi primeiro desenvolvida como uma resposta à necessidade de coordenar projetos muito complexos na indústria aeroespacial e de defesa.

Hoje, a matriz tem crescido muito além do mundo do gerenciamento de projetos. Na maioria das grandes organizações existem muitas estruturas que atravessam os silos verticais tradicionais de função e geografia. Clientes globais querem um único ponto de contato para conversar; cadeias de suprimentos atravessam as funções tradicionais e, até mesmo, incluem clientes, parceiros e fornecedores. Funções empresariais mais integradas e processos de negócios significam que este tipo de ‘trabalho horizontal’ torna-se a norma em organizações complexas.

Gerentes que têm sido usados para fazer as coisas através de relações hierárquicas acham que eles precisam desenvolver as habilidades de gerenciamento de projetos para conectar as pessoas em toda a organização. A necessidade de gerenciar vários chefes, prestação de contas sem controle, influência sem autoridade e objetivos concorrentes passa a ser a norma nestas estruturas organizacionais complexas e multidimensionais.

As consequências não intencionais da matriz

Montamos uma estrutura matricial para atingir determinados objetivos, mas há consequências significativas, e muitas vezes não intencionais, para a forma como as pessoas trabalham em conjunto.

Muitas vezes criamos uma matriz para aumentar a flexibilidade e capacidade de resposta da organização, mas objetivos concorrentes podem levar a um aumento da confusão e conflito. Apesar disso, as pessoas querem clareza de objetivos e papéis e estar alinhados com seus colegas. Precisamos de ambos (clareza e flexibilidade). Mas se pudéssemos estar perfeitamente alinhados, não precisaríamos de uma matriz, poderíamos apenas lançar nossa visão perfeita do mundo de cima para baixo.

Temos a expectativa de que uma matriz aumente a cooperação entre silos tradicionais, mas, como sempre, é preciso ter cuidado com o que se deseja! A matriz pode levar ao aumento da burocracia e da cooperação de má qualidade. Precisamos ser eficazes e conectados.

Desenvolver competências de gestão matricial

A matriz é utilizada principalmente em gerenciamento de projetos para coordenar as operações complexas e gerenciar a mudança de prioridades. Temos que estar confortáveis com trade-offs e dilemas: precisamos de confiança e capacitação para ter sucesso, mas a complexidade torna difícil o controle. A confiança é mais difícil de construir e sustentar quando temos diversas equipes que raramente se encontram, e se comunicam principalmente por meio da tecnologia. Precisamos de um equilíbrio entre controle e confiança.

Em muitos casos, a matriz atua sobre as atitudes e habilidades que os gerentes de projetos já desenvolveram, mas como a gestão matricial se torna mais comum, precisamos elevar nossas habilidades para o próximo nível.

Não é suficiente ter atividades clara e ferramentas de agendamento de tarefas. Os gerentes de projetos responsáveis por equipes que atravessam silos tradicionais estão enfrentando cada vez mais problemas de liderança e colaboração de pessoas. Os gerentes de projeto não podem mais simplesmente se concentrar em atividades e ignorar os problemas do grupo e do desenvolvimento pessoal. Esta é uma área real, onde os gerentes de projeto terão de ampliar suas habilidades nos próximos meses e anos para virem a ser devidamente equipados para lidar com os desafios do gerenciamento de projetos em um ambiente matricial.

Autor: Kevan Hall, CEO da Global Integration, e autor do livro “Making the Matriz Work: How Matrix Managers Engage People and Cut Through Complexity”

Artigo publicado originalmente no site A Girl’s Guide to Project Management

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