Gold Plating: Proibido, mas eu gosto!


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“Gold Plating” quer dizer “Folhear a Ouro”. Em gerenciamento de projetos, é um termo que representa aquilo que o gerente de projetos e a equipe adicionam ao projeto, mas que não foi pedido, gerando mais custos e trabalho.

Quase sempre, você verá esse termo associado a algo negativo (até na Wikipedia!). Aprendemos no curso de gerenciamento de projetos que não devemos adicionar elementos no projeto que não façam parte do escopo, e que tentar melhorar o produto fora do especificado não é nosso papel.

Minha opinião: besteira total!

Cada vez mais é sim, uma obrigação do gerente de projetos e sua equipe buscar um algo a mais em sua entrega, agregar mais valor do que o especificado, e encantar o cliente com algo que ele não esperava. Não somos burocratas que vamos somente seguir a receita de bolo, se conhecemos um ingrediente especial que o deixará mais saboroso.

Recentemente fui a um restaurante em Campinas que gosto muito. Pouco depois de pedir as bebidas, o garçom trouxe uma entrada de cortesia do chef. Não era algo que estava dentro das minhas expectativas, e fiquei extremamente satisfeito com a atenção especial (até porque estava uma delícia). Do ponto de vista do “Projeto Jantar”, isto seria Gold Plating, já que gerou um custo descessário, fora do escopo do jantar e não esperado pelo cliente. Mas gerou valor? Claro que sim!

Antes que os críticos de plantão reajam, quero deixar claro duas coisas:

  1. Nem todo gold plating é bom ou é ruim. Existem casos em que realmente é perda de tempo e dinheiro, e mais abaixo vou dar algumas sugestões para saber quando ir adiante ou não com o folheamento a ouro de seu projeto.
  2. Há projetos em que Gold Plating realmente está fora de questão. Em especial em projetos de grande porte, com contratos extremamente complexos, deve-se ter muito cuidado para não ultrapassar determinadas linhas. Além disso, neste tipo de projetos, o valor adicional agregado com ações de Gold Plating provavelmente passará despercebido, e será realmente apenas um custo extra.

Para lhe ajudar a determinar quando o Gold Plating pode ser uma boa opção, seguem 5 dicas:

Pense no valor que está agregando

A primeira coisa que você deve saber antes de dar seguimento a uma melhoria fora do escopo do projeto é quanto valor ela agrega.

Se você está entregando um projeto de um novo escritório corporativo, colocar maçanetas de ouro (gold plating literal) não melhorará a vida o cliente ou a usabilidade do escritório. Talvez até vai dar mais dor de cabeça porque alguém as roubará.

O exemplo foi meio fraco, mas você é inteligente e entendeu o que quero dizer. Pense no seguinte:  se na hora que você apresentar a melhoria extra do projeto ao cliente ele disser apenas “ah, legal”, seu gold plating foi um fracasso. Você está buscando um “nossa, ficou bom pra *&#@^”.

Saia de seu mundinho

Gerentes de projetos que ficam mergulhados em seus sistemas online, gráficos de gantt e planilhas de custos, não conseguirão fazer boas ações de melhorias não especificadas. Para isso, você deve estar em contato com seu cliente e com o usuário final do produto de seu projeto. Precisa se aprofundar nas necessidades destas pessoas e entender qual valor agregado você pode adicionar em suas vidas.

Alto impacto com baixo custo

As melhores ações de Gold Plating são aquelas que geram um algo impacto positivo no cliente, com pouco custo adicional para o projeto. São estas que você deve perseguir.

Seria uma grande irresponsabilidade minha sugerir que as melhorias extras sejam feitas a qualquer custo. Antes de mais nada, o gerente de projetos deve zelar pelo sucesso do projeto. Até porque, se o tiro sair pela culatra (o “ah, legal” do primeiro item), você não terá desperdiçado quase nada do projeto.

Com um pouco de criatividade, apoio de sua equipe e envolvimento com o cliente, você certamente poderá encontrar algumas possibilidades de encantamento que não envolvem ir ao patrocinador pedir mais recursos para o projeto.

Foque na pessoa, não na empresa

Gerar um benefício para a empresa que contratou seu projeto não é o que vai fazer grande diferença.  Esqueça temporariamente o CNPJ e pense no CPF.

As empresas são feitas de pessoas, e poucos se encantarão se você disser que “adicionou algumas rotinas extras não especificadas, que reduzirão em 1,2% o custo de inventário da organização”.

Agora, se você chegar para seu cliente, e lhe disser que adicionou um relatório automatizado que lhe economizará 20 minutos por dia em tarefas burocráticas, aí sim você poderá receber um “nossa, ficou bom pra *&#@^”.

Não vale fazer o que foi pedido

Se um cliente pediu uma mudança no projeto que não estava no escopo, então isso é scope creep, não gold plating. As melhorias não especificadas devem ser apresentadas como uma boa vontade extra do fornecedor (gerente de projetos e equipe) para encantar o cliente, seja este interno ou externo.

As sugestões acima são muito mais aplicáveis a projetos de pequenas e médias empresas, que estão buscando o encantamento do cliente como forma de marketing, para buscar seus próximos contratos. Como citei acima, não tome o Gold Plating como uma regra… melhorias não solicitadas devem ser avaliadas com muito cuidado para não criar problemas para o projeto. Só não fique amarrado a sua declaração de escopo, dando um “piti” cada vez que alguém sugerir algo que não está no documento.

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Gerente de projetos e empreendedor com vivência internacional, criador da Rede O Gerente e definitivamente viciado em publicar conteúdo sobre gestão, negócios e tecnologia. Fundador da Avantta, empresa especializada em soluções de tecnologia e gerenciamento de projetos para pequenas e médias empresas. Segundo seu filho, é o melhor engenheiro do mundo.
  • Marcello Dias

    Esta semana um cartão de crédito foi embossado como
    Aldo C U Penteado,porquÊ provavelmente procurar por padrões proibidos nos nomes gerados
    fosse considerado Gold Plating,afinal o cliente não pediu,e nós analistas não devemos
    sequer sugerir nada.
    Viva a nova ordem mundial.
    Um grande foda-se para a Worst Case Analisis e viva a Análise orientada a tirar o cú da reta.