Carreira e formação em gestão de projetos. Uma perspectiva atual – Entrevista com Alam Braga


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Conversamos com o professor e gerente de projetos Alam Braga, PMP. Nesta entrevista ele fala sobre a formação de profissionais, características da área e perspectivas de carreira para os novos gerentes de projeto. Confira!

1) Alam, nos fale um pouco de sua trajetória profissional e de como se tornou professor.

Primeiramente obrigado a vocês pelo convite para a entrevista.

Eu comecei no mundo de projetos há bastante tempo, inicialmente ao fazer parte de uma equipe de projetos, depois na condição de gerente de projetos e em seguida como coordenador de PMO, e hoje atuo em apoio às pessoas que desejam planejar sua carreira.

Tenho formação na área de gestão de projetos e também em PMP pelo PMI e PRINCE2 pela APMG.

Desde 2009 estou presente como voluntário no PMIRIO e já estou há 2 gestões como vice-presidente.

Em 2009, após a certificação PMP, eu fui convidado a lecionar na Cândido Mendes e de lá pra cá não parei mais de dar aulas e de palestrar.

Gosto de escrever sobre assuntos de gerenciamento de projetos, de forma que aqueles que quiserem acompanhar podem ver aqui mesmo no blog ou no meu site pessoal em www.alambraga.com.br.

2) Sobre as pessoas que buscam a área de projetos hoje, como formação, pode-se dizer que já chegam com uma boa noção do que é, ou há muitos “curiosos”?

O que tenho visto nas salas de aula são pessoas que ou estão iniciando como parte de uma equipe de projetos e querem ganhar experiência ou aquelas que já ouviram falar e querem se capacitar pra chegar a uma posição melhor no futuro.

3) Qual a maior dificuldade dos alunos quando estão tentando entender e dominar a gestão de projetos hoje? É possível apontar aspectos específicos?

Observo um fato curioso a respeito da educação no País: parece-me que somente se graduar já não é mais o mínimo que o mercado espera (até pela globalização), então muitos alunos recorrem ao MBA simplesmente pela exigência do mercado por uma formação melhor, e não realmente pela necessidade do aprendizado. Isso faz com que a motivação do mesmo pelo estudo seja menor do que o realmente necessário, trazendo dificuldades extras no dia a dia em sala de aula.

Mas em especial sobre o tema de gestão de projetos, que é uma área realmente complexa, pois envolve desde as habilidades técnicas para, por exemplo, construir um cronograma, elaborar um orçamento, estabelecer critérios de qualidade, até as habilidades comportamentais aos quais uma pessoa deve ter para saber se comunicar com eficiência, motivar a equipe, liderar, entender expectativas dos envolvidos e conseguir influenciá-las, penso que a maior dificuldade enfrentada pelos alunos está no equilíbrio entre essas características e habilidades.

4) Na condição de professor da área, qual seu maior desafio? O que é mais complexo de se conseguir com os alunos?

Boa pergunta. O maior desafio é transmitir para os alunos o conceito de planejamento na sua essência. O PMI valoriza por demais planos e é especialmente difícil fazer os alunos entenderam o que na verdade é planejar. Nossa cultura de “fazejamento” e de dar sempre um “jeitinho” dificulta demais quando se trata de planejar.

5) Existe algum tipo de pessoa ou perfil mais ideal para a gestão de projetos? Que tipo de pessoa pode ter mais facilidade ou dificuldade?

O perfil ideal é aquele que consegue equilibrar as suas características racionais, organizadas, empreendedoras e relacionais (conforme o modelo de Ned Herrmann). Mas é uma situação bem difícil de encontrar, pois cada projeto é de um jeito, de uma forma, exige mais de relacionamento ou menos, exige mais habilidades de controle ou menos. Portanto dificilmente irá se encontrar um perfil ou candidato perfeito. O que as organizações precisam, e que fazem pouco, é criar um processo de escolha de cada gerente de projetos considerando as características e as exigências de cada projeto.

6) Sabemos que, por mais que existam boas técnicas, o comportamento das pessoas é uma variável decisiva e nem sempre fácil de controlar. Na condição de professor e profissional da área, o que você pode dizer sobre isso? A formação prepara o gerente para liderar?

Você tem razão, atualmente comportamentos inadequados demitem mais do que as características técnicas. As formações de MBA somente fornecem os conhecimentos necessários (ferramentas e técnicas) para que um projeto seja efetivamente gerenciado, mas os aspectos comportamentais não são tão trabalhados cabendo ao profissional buscar se autodesenvolver nesse aspecto.

7) Como está o mercado hoje para quem deseja entrar na área? É receptivo? Existem características específicas sendo procuradas?

Sim o mercado hoje tem espaço para os que desejam entrar na área de projetos, principalmente considerando os grandes eventos e  toda a infraestrutura que o país está montando. Recomendo que os que estão tentando entrar no mercado busquem primeiramente a certificação CAPM do PMI para se familiarizar com os conhecimentos de projetos e só então, no futuro, depois de ter liderado alguns projetos, evoluam para certificações mais avançadas.

8) Que sugestão você pode dar aos estudantes e profissionais que começam a carreira em gestão de projetos? O que é mais importante?

Sempre digo a qualquer um, seja da área de projetos ou não, PLANEJE-SE. Não delegue a sua carreira pra ninguém. Ela é sua. Faça planos, crie ações e vá em frente. Estude o mercado que quer estar e vá em frente.

Deixo uma reflexão do nobre filósofo Sêneca: “Quando um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe é favorável“.

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Consultor de Carreiras em gestão de projetos, líder de Projetos e
Professor
de Pós-graduação e Graduação em Gerenciamento de Projetos.
Especialista em Gerenciamento de Projetos com ênfase em projetos de software,
formado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) em 2009,
atua mercado há 26 anos. Certificado como PMP® pelo PMI. Mantém o site
pessoal www.alambraga.com.br com
artigos de gerenciamento de projetos. Colunista no Blog Stakerholder e
Autor de diversos artigos já publicados na PM Word Today, na Revista
MundoPM
e nos anuários de artigos do PMI-Rio.